Como calcular o km rodado?

Com o aumento sucessivo dos combustíveis nesse ano, e de forma mais evidente nos últimos dias, é fato que o custo de deslocamento do nosso dia-a-dia está aumentando, ainda mais se usarmos o veículo próprio ou da empresa.

 

Independente da atividade da empresa, o cálculo de custo de deslocamento deve fazer parte da nossa rotina, a fim de colocar na conta o quanto que as visitas aos clientes devem trazer de retorno, assim como, quanto de frete cobrar, ou ainda, otimizar deslocamento, tendo menos saídas e sendo mais produtivo, ou ainda comparando com alternativas, como por exemplo transporte público, transporte por aplicativo, taxi, carona, utilização de veículos com menor custo, entre outros.

 

Esse aumento relevante nos combustíveis proporciona uma reflexão perante ao custo de deslocamento. O seu custo de km rodado está atualizado? Como realizar esse cálculo?

 

No final desse artigo tem um link de acesso a uma planilha de cálculo de km rodado, mas é importante sabermos a metodologia de cálculo.

 

O cálculo de km rodado consiste basicamente em apropriarmos todos os gastos de manter um veículo, dividido pela sua quilometragem num determinado período. A metodologia desse cálculo parte de modelos mais simples, considerando somente o gasto de combustível e o IPVA (Imposto sobre propriedade de veículos automotores), até métodos mais complexos, sendo separado manutenção do veículo por conjunto de peças, e ainda sendo considerado uma possibilidade de pagamento de franquia de seguro, devido a uma expectativa de sinistro.

 

O modelo de cálculo que será apresentado a seguir ficará num meio termo. Não é do mais simples, pois corre-se o risco de deixar alguns gastos de fora, mas também não vou considerar expectativas negativas, que podem não ocorrer.

 

Como a base de rateio (divisão dos gastos) do veículo é a sua quilometragem, o primeiro passo é apontarmos qual a quilometragem mensal ou anual que é rodado. Para todos os casos, será considerado a quilometragem e os gastos anuais.

 

Para efeito de exemplo, vamos considerar uma quilometragem mensal de 1.250 km, multiplicado por 12 meses = 15.000 km no ano.

 

O segundo passo é separarmos os gastos do veículo em fixos e variáveis. Os variáveis são aqueles em que quanto mais km percorrida, maiores serão os gastos, mas o valor por km é o mesmo. Como exemplo, temos o consumo do combustível, troca de óleo e filtro, e troca de pneus.

 

Segue dados de exemplo:

 

1) Combustível: gasolina comum ->  valor do litro R$ 4,80

Média de consumo do veículo (km / litro): Exemplo de 10 km / litro.

Valor do consumo de combustível por km: R$ 4,80 / 10 = R$ 0,48 por km rodado

(Se você não sabe qual a média de consumo do seu veículo, uma alternativa é ver no computador de bordo, ou quando abastecer, encher o tanque e marcar a km atual (km 1). No abastecimento seguinte, também encher o tanque e anotar novamente a km (km 2). Então a média se dará pelo cálculo de:

 (km 2 – km 1) / (quantidade de litros abastecidos para encher o tanque)

 

2)   Troca de óleo com filtro

Periodicidade da troca (a cada quantos km é trocado): Exemplo de 6.000 km

Valor da troca: R$ 250,00

Valor de troca de óleo/filtro por km = R$ 250,00 / 6.000 = R$ 0,04 por km rodado

 

3)   Troca de Pneus

Periodicidade da troca (a cada quantos km é trocado): Exemplo de 50.000 km

Valor da troca (4 pneus): R$ 1.200,00

Valor de troca de pneus por km = R$ 1.200,00 / 50.000 = R$ 0,02 por km rodado

 

SUBTOTAL DE GASTOS VARIÁVEIS:

R$ 0,48 + R$ 0,04 + R$ 0,02 = R$ 0,54 por km rodado

 

Os gastos fixos correspondem àqueles em que, independente da km percorrida no ano, os gastos são os mesmos. Ou seja, quanto mais km for percorrida, menor será o custo por km. Exemplos mais comuns de gastos fixos são: IPVA, taxa de licenciamento e seguro DPVAT, Seguro do veículo (próprio e terceiros), manutenção preventiva e corretiva, depreciação (perda do valor do veículo), lavagens, entre outros.

 

Em relação à manutenção, pode-se separar o que é preventivo do que for corretivo, pois preventivo está mais para um custo fixo, pois independente de problemas com veículo, será realizado. A manutenção corretiva está ligada à defeitos ou problemas gerados pelo uso do veículo. Não estaria errado se a manutenção corretiva fosse um custo variável enquanto que a preventiva um custo fixo. Mas para facilitar o cálculo, aqui será considerado como fixo.

 

Vamos aos exemplos, note que os gastos a seguir são divididos pela km anual prevista:

 

4)  Valor de lavagem do veículo: R$ 40,00 x 15 lavagens no ano = R$ 600,00

Valor de lavagem por km = R$ 600,00 / 15.000 km = R$ 0,04 por km rodado

 

5)   Valor de manutenção do veículo (preventiva e reparos): Estimativa de R$ 1.200,00 ao ano

Valor de manutenção por km = R$ 1.200,00 / 15.000 km = R$ 0,08 por km rodado

 

6)   Taxa licenciamento e seguro DPVAT do veículo: R$ 140,00 no ano

Valor de taxa licenciamento e seguro DPVAT por km = R$ 140,00 / 15.000 km = R$ 0,01 por km rodado

 

7)   IPVA do veículo: R$ 1.200,00 no ano

Valor de IPVA por km = R$ 1.200,00 / 15.000 km = R$ 0,08 por km rodado

 

8)   Seguro de casco e terceiros: valor estimado de R$ 1.900,00 no ano

Valor do seguro por km = R$ 1.900,00 / 15.000 km = R$ 0,13 por km rodado

 

9) Depreciação do veículo: Para o cálculo da depreciação, pode-se partir do valor que foi pago do veículo e o valor atual, a fim de identificar qual foi a perda de valor no período.

 

Exemplo:     Carro comprado em 05/2016 por R$ 40.000,00

                     Tabela Fipe do carro em 05/2018: R$ 35.000,00

                  Perda de valor de R$ 5.000,00 em 24 meses, ou seja R$ 208,33 por mês

A perda por ano ficou, em média, de R$ 2.500,00, que dividindo pela km anual de 15.000 km, corresponde a R$ 0,17 por km rodado.

 

A depreciação também pode ser calculada projetando o tempo de uso do veículo, ou seja, por quantos anos espera-se utilizar, mas aí terá que ser previsto um valor final de venda.

 

Exemplo:      

Carro comprado em 05/2016 por R$ 40.000,00

Expectativa de tempo em ficar com o carro: 5 anos

Valor previsto de venda no final de 5 anos: R$ 30.000,00

Nesse exemplo, a perda no período seria de R$ 10.000,00, que dividido por 5 anos, daria R$ 2.000,00 por ano, que por consequência daria o valor de R$ 0,13 por km rodado (R$ 2.000,00 / 15.000 km).

 

Se o cálculo da depreciação envolver um carro que foi adquirido zero km, é normal que nos primeiros anos, a perda de valor seja mais acentuada, ou seja, a desvalorização é mais acelerada nos 2 a 3 primeiros anos. Após esse período, a desvalorização continua, mas menos intenso.

                      

SUBTOTAL DE GASTOS FIXOS POR KM RODADO =

R$ 0,04 + R$ 0,08 + R$ 0,01 + R$ 0,08 + R$ 0,13 + R$ 0,17 = R$ 0,51 por km rodado

 

TOTAL DOS GASTOS POR KM RODADO =

R$ 0,54 (variável) + R$ 0,51 (fixo) = R$ 1,05 por km rodado.

 

Note que é um valor relevante por km, quando colocamos todos os gastos na conta. Volto a repetir que quanto mais km for percorrida com o carro, a tendência é que o custo por km seja reduzido, devido à divisão dos gastos fixos. Mas também de nada adianta fazer quilometragem para baixar o custo do km, se por outro lado essa quilometragem não é remunerada.

 

Vou finalizando o cálculo por aqui, mas poderia ser colocado outros gastos, como pedágio, divisão de gastos de manutenção por peças ou conjunto de peças do veículo (ex.: correia, freios, ar condicionado, etc.). Para empresas que dispõem de motorista, não pode ser esquecido do salário e encargos do mesmo, para fazer parte do custo do km rodado.

 

Cobrar o valor justo do km rodado não é tão fácil. Mesmo que o valor que você cobra ou pratica esteja defasado, é importante saber a diferença e pensar em alternativas. Para facilitar os cálculos, estou disponibilizando uma planilha automática de km rodado. Se você tiver interesse, clique aqui e se cadastre para receber.

 

 

Fabio Nepomoceno - Contador e Consultor em Finanças

 

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