Dicas para tirar a empresa do vermelho

Infelizmente a maioria dos pequenos empresários por não dominarem os conceitos da gestão financeira, acabam enfiando os pés pelas mãos ao tentarem gerenciar o dinheiro recebido pelas vendas.

 

A verdade é que mesmo com os altos e baixos da economia brasileira, observa-se que no final das contas, a culpa pela situação financeira extremamente ruim dessas empresas acaba sendo mesmo do empresário.

 

Cuidar das finanças do negócio continua sendo um desafio para os empreendedores brasileiros. A maioria não está preparada para isso já que nenhuma escola ensina como fazer um controle financeiro básico, ou seja, gastar menos do que se ganha.

 

Em uma empresa então, é ainda mais difícil do que na situação pessoal. Existem diversas variáveis como capital de giro, ponto de equilíbrio, margem de contribuição, etc.

 

Se a sua empresa está com problemas financeiros precisa fazer algo para solucionar. O primeiro passo é entender o porquê desta situação. Faça uma reflexão e veja se os reais motivos estão mesmo fora ou dentro do negócio. Isso é essencial para começar a tirar a empresa do vermelho.

 

1. Faça um diagnóstico das suas dívidas

 

Se você não sabe quanto e para quem deve, não conseguirá também saber como fazer para sair dessa situação.

 

Muitos empreendedores ficam esperando o momento certo para encarar o que está acontecendo na empresa, procrastinando esse controle financeiro. Pare e veja tudo que você já contraiu de dívida. Feito isso, você conseguirá estabelecer uma estratégia para sair do buraco

 

O que fazer?

 

Para saber o que e como resolver, faça uma lista com o nome do credor, o valor inicial e atual da dívida, o tipo de dívida (cartão de crédito, cheque especial, fornecedores, impostos, etc.), e os juros e multas que estão sendo cobrados.

 

2. Implante a gestão financeira

 

Mesmo que você consiga levantar as suas dívidas, é preciso entender qual é a sua capacidade de pagamento neste momento. Não adianta conhecer a dívida sem saber também o quanto é possível dispor de capital para fazer a quitação sem estrangular o negócio.

 

É essencial aqui que você implante pelo menos um controle de contas a pagar e receber, e um relatório de fluxo de caixa projetado diariamente, para pelo menos um mês.

 

O relatório de Fluxo de Caixa é a ferramenta que vai ter ajudar com o planejamento financeiro do negócio. Sem ele não é possível gerenciar de forma eficaz os recursos das vendas e muito menos entender a formação dos saldos para tirar a empresa do vermelho.

 

Fazer o planejamento financeiro para não repetir os mesmos erros é essencial!

 

3. É hora de renegociar

 

Agora que você já sabe o perfil da sua dívida e tem a noção de quanto pode dispor para honrá-las, é hora começar a renegociar.

 

Conversando, é possível estender o prazo de pagamento ou reduzir o valor diante de uma entrada imediata, por exemplo. Fornecedores costumam ser mais compreensivos do que os bancos e o governo nesse sentido.

 

Comece pelas dívidas mais perigosas, como cartão de crédito e cheque especial. Não se acanhe, seja transparente e mostre que está disposto a honrar todos os pagamentos.

 

Importantíssimo: jamais comprometa totalmente o capital de giro. Se você fizer uma dessas coisas, a empresa poderá fechar. O capital de giro é o oxigênio do negócio. Logo, não ceda a pressões para vincular os recebíveis (como cartão de crédito e boletos) ou algo que afete de forma significativa o seu giro. Isso é fatal!

 

Por fim, não se acanhe ou tenha vergonha de si mesmo. Em uma situação de crise financeira todos tem problemas, mas ao mesmo tempo é importante fazermos o dever de casa: gestão financeira.

 

4. Corte ou reduza os custos

 

O próximo passo é olhar com calma todos os custos que a empresa possui. Foque primeiro nos custos fixos. Nesse caso, a solução é tentar renegociar os contratos, ou realizar a troca por fornecedores com maior custo-benefício.

 

Os custos variáveis já costumam ser diminuídos também com a queda das vendas – como os gastos com matéria-prima, por exemplo.

 

Mas cuidado para não cortar custos que trazem resultados. Muitos empreendedores vão cortando sem ter um critério estabelecido e acabam afetando de forma significativa áreas que geram receitas para o negócio.

 

5. Separe a PF da PJ

 

Lá vamos nós de novo com a clássica mistura de dinheiro entre a pessoa física (PF) e a empresa (PJ). Em 99,9% das pequenas empresas isso é uma prática recorrente e extremamente danosa para a gestão financeira.

 

Essa mistura é ruim porque prejudica a análise econômico-financeira da empresa, além de sufocar as finanças, pois diminui o capital de giro. Então o que fazer?

 

Separe de forma clara as contas. Abra uma nova conta corrente para a empresa, se a conta operada no negócio for a da pessoa física (ou vice-versa).

 

Defina um valor para a retirada mensal do sócio (Pró-Labore) de acordo como o mercado e a atual capacidade financeira da empresa. Não adianta querer tirar mais do que o negócio permite.

 

Mantenha um controle financeiro na conta pessoal para que não ocorra outros ataques ao caixa da empresa. Afinal, se a vida financeira do sócio for descontrolada você acha que ele vai gerir as finanças da empresa de forma responsável?

 

Finalmente, toda empresa passa por dificuldades financeiras, isso acontece. As crises são cíclicas e volta e meia nos vemos dentro do olho do furacão. O que não pode acontecer é passar por dificuldades por falta de gestão financeira. É desnecessário e contra produtivo para a empresa e para a sua vida.

 

Chega de noites sem dormir pensando em boletos e clientes. Todos sabemos que a vida de empresário não é fácil. Então, porque complicar mais?

 

Levante a cabeça, se organize e comece logo a tirar a sua empresa do vermelho.

 

Autor do artigo: Decio Muniz, adaptado de administradores.com

Link original do artigo: clique aqui

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