O que fazer com o valor do FGTS liberado pelo governo?

Há poucos dias o governo confirmou a liberação dos saques de contas ativas e inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS-Pasep. Os saques do FGTS começarão em setembro deste ano e a previsão é injetar R$ 42 bilhões na economia até 2020. Os saques do PIS-Pasep começaram em agosto.

 

O saque imediato será de até R$ 500,00 por conta e o programa Saque Certo permite que o saque seja anual. Atualmente, há cerca de 260 milhões de contas ativas e inativas no FGTS. Desse total, cerca de 211 milhões (80%) têm saldo de até R$ 500,00.

 

Vale ressaltar que os recursos do FGTS são depositados pela empresa na conta do trabalhador e, segundo as regras vigentes até então, os recursos ficam acessíveis ao mesmo apenas mediante condições especiais. Também é importante lembrar que o objetivo do recurso do FGTS é de que o trabalhador tenha uma reserva num eventual desligamento da empresa.

 

O impacto desta mudança será a disponibilidade imediata de parte deste recurso para os trabalhadores, que poderão usar o dinheiro da forma que desejarem. Com esse dinheiro disponível, mesmo que seja um valor baixo, surge a dúvida: O que fazer?

 

Cerca de 32,1% das famílias brasileiras estão endividadas por mais de um ano, sendo que 24,7% acumulam dívidas por até três meses. Em junho/2019, 21,1% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida para pagamento de dívidas. (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor – Peic ).

 

O volume de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas atingiu 9,5% em junho deste ano. Se você se encontra com dívidas, a primeira dica é usar este recurso do FGTS para saldar total ou parcialmente seu saldo devedor e, com isso, reduzir o impacto do pagamento de juros no seu orçamento.

 

Dado que apenas 8% dos brasileiros economicamente ativos conseguiram guardar algum dinheiro para aplicação financeira em 2018, a segunda dica é usar este recurso como seu ponto de partida para construir sua aposentadoria independente, frente às incertezas com relação ao futuro da previdência pelo INSS.

 

Com a poupança e a formação de uma carteira de investimentos o trabalhador poderá contar com uma fonte de renda passiva (renda que não depende do trabalho) para pagar as contas quando ele não puder mais trabalhar.

 

Por fim, este recurso também pode ser usado para compor uma reserva de emergência e, desta forma, trazer tranquilidade frente às situações inesperadas tais como desemprego, doenças, mudanças de cidade ou mesmo atrasos no pagamento. Ter tranquilidade frente à situações inesperadas é importante para que se tenha uma vida saudável.


Vale lembrar que o dinheiro depositado no FGTS rende cerca de 3% ao ano, enquanto que a poupança rende cerca de 4,55% ao ano. Uma aplicação em renda fixa num CDB que rende 100% do CDI, poderá rendar cerca de 4,8% ao ano líquido, já considerando imposto de renda (para aplicação no período de um ano). Todas essas aplicações são de renda fixa e possuem garantia pelo Fundo Garantidor de Crédito.

 

Então primeiramente prefira pagar as dívidas, de preferência as que possuem juro maior, e em segundo lugar faça algum investimento. Pode ser utilizado também parte do recurso para o consumo, lembrando que a essência do depósito do FGTS é de constituir uma reserva, caso fique desempregado. Espero que pense nessas dicas, sendo que não vale a pena deixar o dinheiro parado lá, visto ao baixo rendimento.

 

Adaptado de Dinheirama

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