Será que sua idéia de negócio é boa?

Compartilhamos aqui as dicas de Bruno Perin para te ajudar a viabilizar um novo negócio que esteja pensando, ainda mais se depender de poucos recursos. Com 7 perguntas você vai verificar se a ideia que pensou tem chance de ser um bom negócio ou não, e ainda mais se um de seus limites for a situação financeira.

 

Como descobrir o potencial da sua ideia mesmo sem dinheiro?

 

A primeira coisa é entender que você deve mesmo fazer essas perguntas:

 

Essa ideia é boa mesmo?

A minha ideia pode virar um negócio?

Vale a pena o esforço de investir na minha ideia?

 

Essas perguntas já eliminam o primeiro grande problema: achar que sua ideia é extraordinária sem colocá-la a teste. Não parar para questionar se ao menos sua ideia tem sentido é insanidade. A chance de dar errado mal beira o 101%.

 

Existem 7 questionamentos que podem ajudá-lo a desvendar o quanto a sua ideia tem potencial e tomar uma decisão muito mais coerente sobre seguir ou não com ela. Lembre-se que quem vai decidir se o negócio será um sucesso ou fracasso é o mercado, e você não pode controlar ele.

 

No entanto, você pode: 1) cortar as ideias que dariam errado com certeza; 2) eliminar partes que causariam problemas; 3) direcionar os esforços onde tem mais potencial de dar certo. Com essas 3 atitudes, suas chances de sucesso começam a aparecer.

 

1. Tem mercado?

 

É claro que essa é a primeira pergunta. Você já resolveu que um dia queria sair para se divertir e foi na primeira boate que apareceu? Claro que você pegou referências, perguntou a amigos se eles também iriam. Você quer saber se tem gente lá, se vai ter uma vibe legal. Qual seria a graça de ir numa festa basicamente vazia?

 

A mesma coisa é com o mercado. Não adianta nada você criar algo e não ter um público para consumir, jamais será um negócio se não tiver os pagantes. Portanto, avalie qual é o potencial desse mercado que você iria atacar.

 

Quanto mais aquecido, quanto mais "fervendo" estiver esse mercado, mais dinheiro tem por lá. O que isso significa? Que as pessoas têm mais disposição de pagar por soluções. Elas consideram essa área importante.

 

Não é que mercados com pouca gente não tenham chance, mas é muito mais difícil. Requer muito mais investimento para quem está com pouca grana. Encontrar mercados aquecidos é aumentar as chances de retorno.

 

Ok, achei um mercado grande, isso já basta?

 

2. O mercado está crescendo?

 

Essa questão é tão esquecida quanto aniversário do primeiro beijo. As pessoas até consideram o mercado que querem entrar. Não com tanta veemência como falamos antes, mas elas olham de leve.

 

Agora avaliar se o mercado é crescente... Aí, meu amigo, é um terror!

 

Tão importante quanto questionar se o mercado é grande, é ver a tendência dele. Às vezes o mercado é grande, mas está saturado e em queda. Entrar com um negócio num ambiente que já tem muita gente comendo o bolo e as fatias ficam cada vez menores é um problema. Você quer mesmo entrar em uma disputa onde já tem gente se matando pelos pedaços que estão cada vez menores?

 

Quer dizer que é impossível? Não. Mas quer dizer que é bem mais difícil e não vale a pena, ainda mais para quem tem pouca grana. Prefira mercados aquecidos e crescendo. Suas chances ficam bem maiores de ter retorno.

 

3. Como seria o processo de compra?

 

Depois de tanto te incomodar, espero que você tenha entendido que a ideia de negócio é só uma parte da história. O simples fato de como as pessoas compram já pode inibir muitos possíveis negócios.

 

Como as pessoas vão fazer a transação com você? Como elas vão pagar e receber essa sua solução? Algumas questões podem inviabilizar a forma de fazer o negócio, ou o modelo não é atraente no momento.

 

Você pode considerar oferecer um serviço que fica muito difícil comprar da maneira que pensou no início. Ou, o mais comum, a forma de entregar esse produto ou serviço torna muito caro ou complexo de fazer. E isso acarreta em menos chance do cliente querer.

 

Tão importante quanto o que você oferece, é por quanto e como entregará. Você deve avaliar com a frieza de um matador de aluguel dos filmes o quanto esse formato que imaginou é justo para o mercado.

 

Pense quantas vezes você adquiriu algo só por que foi muito fácil comprar e receber?

 

4. E como seria o consumo?

 

Achou que era só vender e pronto? Errou. Muitas pessoas consideram apenas a venda na hora de avaliar sua ideia. Mas é preciso lembrar que o negócio não termina na venda.

 

Mais importante do que a venda é o cliente conseguir usufruir do seu produto ou serviço. Como dizer se um livro é bom ou ruim sem ter lido?

 

Mais importante do que eu ter vendido mais de 25.000 cópias do livro "Sem dinheiro: como criar uma startup com pouca grana" é o número de pessoas que leram o livro. As pessoas precisam usar o produto para então recomendar, criar vínculos.

 

O uso do produto ou serviço faz você refletir bem sobre a qualidade dele. É importante pensar em como as pessoas vão usar seu produto ou serviço para ver:

 

Se vai ser muito complexo o cliente usar sozinho;

 

Se acredita mesmo que ele vai resolver o problema em questão;

 

Se vai precisar de muito apoio ao cliente;

 

Cada um desses pontos envolve custos que podem inviabilizar o negócio. Considere-os para avaliar o potencial da sua ideia.

 

5. É um produto/serviço fim ou contínuo?

 

Essa é uma questão um pouco mais avançada, mas que vale muito a pena considerar. Ela ajuda você a perceber o potencial futuro da sua ideia de negócio e a viabilidade dele.

 

É triste, mas é comum as pessoas não considerarem o quanto vão ter que gerar de entrada, e como farão isso, para analisar se vale a pena ou não.

 

Você pode querer vender um produto na área de gastronomia, com uma pequena margem sobre ele. Mas para manter tudo a pleno vapor, terá que vender várias unidades todo mês. Só que o seu produto não é de consumo tão comum, é mais para momentos especiais. Então, a probabilidade dos clientes comprarem repetidamente é menor, o que significa… Ter que encontrar novos clientes toda hora.

 

Quanto mais fácil for conseguir novos entrantes ou manter as pessoas comprando no seu negócio, maior é o potencial dele.

 

Você pode analisar essa parte da sua ideia com as seguintes perguntas;

 

A pessoa vai comprar uma única vez?

 

Você terá que ficar despertando a necessidade dela novamente?

 

Ou será uma compra em que ela continuará com você através de uma mensalidade, semestralidade, anuidade?

 

Bem, na real, você está analisando a quantidade de clientes que você precisa atrair e manter com relação aos custos para conseguir funcionar. Claro que você quer crescer, mas primeiro precisa ficar de pé, para depois pensar em caminhar.

 

6. O que você vai gastar para isso?

 

Essa questão tem relação direta com a de cima, pois ajuda a verificar a força de venda que você vai ter que fazer. Só que só é possível descobrir isso se souber quanto custa. Claro que as pessoas consideram o gasto do negócio, mas elas fazem isso de um jeito porco.

 

Sim, eu sei que é forte falar assim, mas é desleixado como as pessoas avaliam os custos. Quando me apresentam ideias, eu pergunto: "E como você vai lidar com tal custo?". E a pessoa faz aquela cara de surpresa e fala mansinho: "Nossa, eu nem tinha considerado isso". Bom, sinal que não pensou o suficiente na ideia.

 

Avalie os custos, pelo menos os custos que você imagina que terá no início, para analisar se a ideia tem potencial ou não. Só assim você tem a chance de decidir se deve ou não seguir adiante. Você não pode se dar ao luxo de não ter certeza dos gastos envolvidos, principalmente se tiver pouco dinheiro. Quem não sabe o quanto gasta, jamais vai saber o quanto ganha.

 

Ver os principais valores envolvidos para o negócio operar, trará uma perspectiva mais real do potencial negócio que você tem em mãos.

 

E, por fim, com custos e a maneira que imaginou ganhar dinheiro lá no ponto 3 vai fazer a pergunta matadora: Vai sobrar dinheiro?

 

Nunca esqueça: sem essa perspectiva, vai ser difícil criar um negócio. Você pode criar uma ONG, mas uma empresa precisa de lucro.

 

7. É um bom negócio?

 

Chega o momento de encarar a verdade, né? E é esse o critério mais importante: ser honesto. Depois de todas essas questões, você considera um bom negócio?

 

O mercado que existe, para onde está indo, a forma de uso, venda, o que gasta e ganha... Com toda a honestidade, parece algo promissor?

 

As pessoas se crucificam por colocarem o selo "Essa ideia não vai ser um bom negócio". Mas calma lá, a maior parte das ideias não serão bons negócios. E mesmo quando parecem ser um bom negócio, muitas ainda dão errado.

 

É normal perceber que sua ideia não é um bom negócio. Só não ache que isso quer dizer "Jogue no lixo!". Toda ideia, para se tornar um negócio, precisa de ajustes.

 

Entenda que o que você pensou até agora pode não parecer promissor. Cabe ajustar, analisar mais, encontrar outras alternativas.

 

E se, depois de todos esses filtros, você chegou à conclusão que sua ideia tem potencial e que, sim, é bom negócio, fico muito feliz. Você deve considerar dar os próximos passos.

 

Afinal, meu objetivo aqui era fazer você analisar isso: tenho uma ideia para seguir adiante?

 

Não confunda confiança com esperança.

 

Se você percebeu que tem potencial e confia nisso, ótimo! É o necessário para encarar os próximos passos. No entanto, muitas pessoas, quando olham bem, não são honestas e admitem "Não me parece bom". E preferem simplesmente ligar o botão da esperança, esperando que dê certo.

 

Isso é muito perigoso.

 

Lembre-se, também, que esse é um jeito de ver com mais velocidade se vale a pena ou não continuar pensando. Você pode e deve avaliar mais coisas quando for partir para a execução. O objetivo aqui era você definir: será que essa ideia merece minha atenção?

 

Ter esperança e acreditar é o que levaram todos os empreendedores a seguirem adiante.

 

Quando você passar por essa prova de fogo e ver que tem algo bacana, e naturalmente, depois de alguns ajustes, seus pulmões vão encher de motivação.

 

Você conhece alguém com boas ideias?

 

Ajude essa pessoa, quem sabe ela nunca seguiu adiante ou quebrou a cara por não saber avaliar. Compartilhe esse artigo com pessoas que podem estar precisando exatamente disso.

 

Fonte: Adaptado de Administradores.com, artigo de Bruno Perin

Link original do artigo -> clique aqui

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