Como fazer um orçamento familiar?

Já não é novidade para nós a questão de controlarmos nossa renda e gastos todo mês. Apesar disso, para algumas pessoas o conceito e prática de orçamento doméstico, ou também conhecido como orçamento familiar, passa despercebido no dia-a-dia.

 

Orçamento familiar é o controle de receitas e despesas da família, incluindo transporte, moradia, estudo, lazer, alimentação, investimentos, pagamento de dívidas, entre outros. É uma ferramenta de acompanhamento, a fim de visualizarmos como está o nosso desempenho financeiro e principalmente, compartilhar com a família, a fim de sensibilizar para esforços de economia e transformação de sonhos em metas financeiras.

 

Assim como toda empresa, todos nós devemos ter registrado o quanto ganhamos e gastamos, e não simplesmente deixar só na nossa cabeça. Uma vez que visualizamos os números, mesmo que sejam ruins, provocamos uma análise racional da nossa situação financeira. E aqui vale lembrar um dos motivos que faz com que as pessoas não tenham a prática de orçamento e da visualização desses números: o medo de enxergar a real situação, fazendo com que a emoção de gastar sem a preocupação do amanhã esteja acima do que o controle de gastar menos do que ganha.

 

Especialistas em finanças pessoais apontam que a dificuldade de controlar as finanças não é tanto a parte de controle, mas sim a disciplina de reconhecer a real situação financeira, os limites e os cortes, tendo até um aspecto mais psicológico, do que realmente de controle financeiro.

 

A prática de preencher orçamento familiar não exclui essas dificuldades. Podem amenizar, pois de nada adianta preencher papel, planilha ou sistema, se não for analisado em família, apontando o que está sendo gasto demais ou de menos, e estabelecendo metas. Também de nada adianta ter um orçamento familiar, se ele é revisado somente a cada mês, a cada trimestre, ou até a cada ano. Ocorre muitos casos de definirmos o quanto vamos gastar, ou seja uma meta de gastos, e após nos depararmos no mês seguinte que estouramos totalmente o orçamento. Porém, como já passou o mês, só resta analisar e talvez corrigir o valor para o próximo período.

 

Uma das dicas de orçamento familiar é que tenha um acompanhamento semanal, pois se olharmos somente uma vez por mês como está o desempenho em relação à meta, não podemos ajustar durante o período. Se a partir da segunda semana verificarmos que já estamos gastando além do planejado para o mês, temos ainda duas semanas para corrigir o rumo, mudando até o hábito para reduzir os gastos naquelas semanas restantes.

 

Como fazer um orçamento familiar?

 

Existem muitas formas de fazer um orçamento familiar. A forma mais utilizada é através de planilha eletrônica, mas nada impede que seja realizado de forma manual, através de anotações em papel, agenda, papel na geladeira, entre outras formas. Atualmente existem muitos sistemas de controle, inclusive alguns gratuitos, que podem ajudar a organizar as finanças. Abaixo cito alguns com o site para seu conhecimento:

 

Organizze – www.organizze.com.br

Meu Dinheiro – www.meudinheironaweb.com.br

Mobills – www.mobills.com.br

GuiaBolso – www.guiabolso.com.br

 

 

Não tenho orçamento, como começar?

A seguir é sugerido um passo-a-passo para quem não tem orçamento e deseja começar, ou ainda, para quem deseja avaliar se está fazendo da forma correta.

 

Primeiro passo: Verifique sua renda

A maioria das pessoas começa o seu orçamento do lado errado: pelas despesas, quando o ponto de partida deveria ser as receitas. Pense a respeito: você deve gastar de acordo com a renda que tem disponível, certo?

 

Pode-se dizer, então, que as receitas (quanto a família ganha) definem o poder de consumo. Os gastos devem se adaptar a essa realidade. Nessas receitas entra o salário e demais rendimentos que tiver, como aplicações, aluguel, entre outros.

 

Quanto ao salário, você pode colocar direto o valor líquido recebido, mas também pode colocar o valor bruto, e depois informar a parte os descontos, como o INSS e Imposto de Renda.

 

Considere as rendas que efetivamente você espera receber: uma estimativa de bonificação ou possibilidade de receber comissões pode até ser informado, mas sempre considere a menos, pois pode não acontecer e o orçamento vai estar furado.

 

Os limites de cheque especial e do cartão de crédito não entram na definição da renda mensal. Esses dois são opções de crédito, que deve ser utilizado de forma consciente.

 

Segundo passo: Liste os seus gastos

Agora é hora de listar todas as despesas. Primeiro, você deve relacionar as fixas, ou seja, aquelas que não costumam variar, ou variam muito pouco durante o mês (aluguéis, mensalidade escolar, seguro, plano de saúde, salário de empregado doméstico, condomínio, encargos sociais e trabalhistas etc.).

 

Ainda nas despesas, reflita muito bem sobre os gastos semi-variáveis (alimentação, conta de luz, água, telefone etc.) e as variáveis (roupas, calçados, presentes, viagens, cinema, etc.).

 

Procure analisar muito bem os gastos invisíveis: são pequenas despesas do dia-a-dia que levam o dinheiro da família sem que ninguém perceba: o lanche da escola do seu filho, o cafezinho antes do trabalho, as revistas que vocês compram e pouco lêem são alguns exemplos. Tais despesas devem ser anotadas e previstas no orçamento.

 

Tanto para as receitas e despesas, é útil que as mesmas sejam classificados por grupos e subgrupos, para conseguirmos visualizar melhor como estão as despesas e receitas por tipo. Abaixo temos exemplo:

 

1) Receitas

   1.1) Salário marido

   1.2) Salário esposa

   1.3) Renda Extra

   1.4) ....

 

2) Despesas

   2.1) Moradia

   2.2) Transporte e deslocamento

      2.2.1) Combustível

      2.2.2) Manutenção de carro

      2.2.3) .....

   2.3) Alimentação

   2.4) Fim de semana / Lazer

   2.5) ....

 

Terceiro passo: calcule a diferença

Depois de ter criado seu orçamento, que num primeiro momento serão com alguns dados estimados, visto que você ainda não controla, é hora de identificar a diferença, entre a receita e as despesas.

 

Compare o quanto você ou sua família recebe com aquilo que se gasta, e você pode fazer esse levantamento sem incluir as dívidas e investimentos. Qual é a sua situação?

 

É importante ter uma categoria específica para investimentos e outra para dívidas, a fim de sabermos o quanto da renda está sendo comprometido com aumento do patrimônio ou redução do endividamento. E da mesma forma que os grupos de despesas, segue um exemplo:

 

3) Investimentos

   3.1) Aplicações / Reservas

   3.2) Consórcio

   3.3) ....

 

4) Dívidas

   4.1) Empréstimo banco

   4.2) Financiamento carro

   4.3) ....

 

Em alguns casos, a separação entre investimentos e dívidas pode até causar certa confusão, pois por exemplo, o pagamento da parcela da casa própria é uma amortização de dívida, ao mesmo tempo o valor pago pode ser considerado um investimento. Portanto pode-se ter um grupo único denominado de “Investimentos/Dívidas”, mas é interessante colocar somente o valor principal pago. Ou seja, na parcela do financiamento do carro ou da casa própria está incluído juros e tarifas, que deverão ser separados e colocados como despesa de juros, no grupo de despesas, e deixar a parcela principal nesse grupo de investimentos/dívidas.

 

Dessa forma, conseguiremos visualizar realmente o quanto de juros pagamos todo mês para adquirir os bens. Talvez não seja uma informação tão fácil de conseguir e dependendo do caso deverá ser consultado o banco que o bem está financiado.

 

Quarto passo: metas

Uma outra dica para orçamento familiar é definir as metas de gastos. Sem essa definição, não estaremos preocupados em quanto gastar, somente estaremos preocupados em preencher controles. E esse não é o foco do orçamento. Além de anotarmos a nossa renda e despesas, ele serve como um comparativo com as metas que estabelecemos. A partir do momento que conseguimos mostrar para a família que, a partir de um desejo de realizar uma viagem, por exemplo, e por consequência estabelecer uma meta de reservar um dinheiro, o orçamento vai facilitar o controle e favorecer a percepção de quão perto ou longe a família está distante de realizar a viagem, ou algum outro desejo ou objetivo.

 

Quinto passo: acompanhamento e cortes

Caso esteja gastando menos ou em linha com o que ganha, vale a pena refletir sobre a qualidade destes gastos.

 

Se estiver com o orçamento equilibrado, mas não estiver poupando, procure cortar gastos, de forma a investir ao menos 10% daquilo que recebe. Tenha como meta montar uma reserva de emergência equivalente ao menos seis meses para cobrir as despesas correntes.

 

Se você está gastando mais do que recebe, não há alternativa, a não ser cortar gastos. Converse com sua a família, todos devem estar envolvidos nesse esforço. Mesmo que seja o responsável financeiro pela família, não é o único a gastar, de forma que todos devem estar envolvidos neste objetivo.

 

 

Fabio Nepomoceno - Contador e Consultor em Finanças

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