Como ganhar dinheiro investindo em CDB?

Para quem tem dinheiro sobrando no orçamento e deseja ter segurança no momento de investir, a aplicação em CDB (Cerificado de Depósito bancário) mostra-se como alternativa de investimento. Diante da estabilidade da taxa de juros da economia e da redução da inflação, é necessário avaliar se a aplicação em renda fixa continua tendo o mesmo rendimento do que em períodos anteriores.

 

Antes de tratarmos sobre essa modalidade de investimento, é importante colocar que para uma pessoa ou empresa investir, é necessário que esteja com seu orçamento equilibrado e que tenha alguma sobra para poder aplicar (já fiz um vídeo sobre quanto investir, veja aqui).

 

Além da sobra de orçamento, antes de investir deve-se determinar o objetivo de guardar aquele dinheiro ou aquela determinada quantia. Se o valor a ser guardado é para aquisição de algum bem, ou realizar alguma viagem, ou algum projeto pessoal, tem que estar muito claro o valor que você vai necessitar e que prazo necessita. Tendo de forma clara o valor necessário e em quanto tempo, será uma questão de identificar a melhor modalidade de investimento para o prazo e realizar simulações.

 

No final desse artigo terá um link para planilha automatizada de cálculo de CDB, mas é interessante vermos os conceitos antes.

 

O que é CDB?

 

Mesmo que a poupança seja a forma mais utilizada na hora de guardar dinheiro por parte dos brasileiros, devido à facilidade e segurança, o CDB mostra-se tão seguro como a poupança, e podendo ter rentabilidade superior. Ele é um título de renda fixa que os bancos emitem, como forma de captar dinheiro para financiar suas atividades ou também investir no mercado. O rendimento do investimento está atrelado ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que por sua vez acompanha a variação da taxa básica de juros da economia. Atualmente a taxa básica de juros da economia é de 6,50% ao ano, e o CDI médio está em 6,39% ao ano.

 

O rendimento dos CDB’s corresponde a um percentual do CDI, que dependendo da instituição financeira, pode variar de 70% do CDI, tendo casos de 130% do CDI. Quanto maior o percentual, melhor. Esses são casos de CDB’s pós fixados, ou seja, se alterar o CDI, altera também o rendimento do CDB. Também há modalidades em que o rendimento do CDB é fixado pela variação do índice de inflação e mais a taxa de juros. É uma forma de manter-se protegido dos efeitos inflacionários

 

Há também CDB’s pré-fixados, onde sabe-se o quanto que se ganhará no momento da aplicação. Em ambos os casos (pré fixado e pós fixado), é importante saber que há basicamente duas relações que determinam o rendimento do título: o valor investido e o prazo de resgate. Quanto maior o valor aplicado, maior a chance de investir em CDB que pague uma taxa atrativa. E além do valor, quanto mais tempo deixar o recurso com a instituição, maior a probabilidade de ter uma taxa superior.

 

Essa relação de tempo é determinante para o rendimento do título.  Deve-se ter cuidado para que caso você precise de dinheiro antes do tempo previsto de resgate do CDB, provavelmente o rendimento estará prejudicado.

 

Imposto de renda sobre o rendimento

 

Uma das desvantagens do CDB é a incidência do imposto de renda, onde dependendo do prazo que se deixa o dinheiro, tem uma alíquota. Para aplicações de até 180 dias, incide 22,5% de imposto sobre o valor do rendimento, de 181 a 360 dias incide 20% no valor do rendimento; de 361 a 720 dias 17,5% e 721 dias ou mais incidirá 15%. Ou seja, quanto mais tempo o dinheiro ficar lá, menos imposto de renda. É importante lembrar que caso deixar aplicado menos de 30 dias, incidirá também o IOF (Imposto de Operações Financeiras). Em resumo, se você pretende aplicar algum valor em CDB num prazo de 30 a 60 dias, provavelmente será mais vantajoso deixar na poupança, visto que essa não tem IOF e nem imposto de renda.

 

Qual a minha garantia em aplicar o dinheiro no CDB?

 

Assim como a poupança, a aplicação em CDB’s é garantida pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que é um fundo constituído pelos bancos, de forma a garantir as operações de clientes das instituições. Tal fundo garante os depósitos de até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira. Portanto, o risco é baixo.

 

CDB’s de bancos tradicionais

 

Os bancos tradicionais, como por exemplo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco, Santander, entre outros, oferecem seus títulos de CDB’s. Porém geralmente o rendimento desses títulos não são tão atrativos, sendo inferiores a 100% do CDI, tendo casos de até 70% do CDI, o que é muito baixo, mas pode ser ainda maior que a poupança.

 

Por exemplo, se você aplicar R$ 10.000,00 a um CDB que paga 80% do CDI, de um banco tradicional, teria o seguinte rendimento:

 

Valor da aplicação: R$ 10.000,00

Prazo: 6 meses

Taxa: 6,39% ao ano x 80% = 5,11% ao ano, que corresponde a 0,42% ao mês

Valor no final: R$ 10.252,41

Imposto de renda: no caso de até 6 meses, 22,5% sobre o rendimento de R$ 252,41, que resulta em R$ 56,79

Valor líquido no final: R$ 10.195,62

 

Veja como o rendimento é baixo: Ele representou 1,96% em 6 meses, que numa média ficaria em 0,33% ao mês. Como referência, a inflação em maio (IPCA) ficou em 0,40% ao mês. Nesse caso, se fosse aplicar o mesmo valor na poupança, resultaria em R$ 10.224,06, visto que não tem imposto de renda.

 

Mas quando que o CDB torna-se atrativo?

 

A aplicação em CDB fica interessante à medida que se busquem bancos alternativos, fugindo dos tradicionais. A comodidade nos faz ganhar menos dinheiro, pois geralmente temos conta corrente nos bancos tradicionais e esses já oferecem a aplicação em títulos do próprio banco.

 

Os CDB’s de bancos menores têm a mesma funcionalidade e a mesma garantia do FGC, cabendo a uma breve consulta sobre o histórico do banco que está oferecendo o título. As ofertas dos títulos dessas instituições menores são realizadas geralmente por corretoras de valores, pelo qual é necessário você se cadastrar e abrir uma conta para realizar operações. O uso de corretora de valores não é somente para quem aplica em ações. É um intermediário para que também você possa aplicar em títulos do tesouro, CDB’s, fundos de investimento, entre outros. Destaco abaixo as principais corretoras no mercado:

 

Modalmais - www.modalmais.com.br

Rico - www.rico.com.vc

XP - www.xpi.com.br

Clear - www.clear.com.br

UBS - www.ubs.com

Easynvest - www.easynvest.com.br

 

E muitas outras. Veja lista de corretoras e suas qualificações nesse link da bovespa: http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/servicos/participantes/busca-de-corretoras/

 

Geralmente as corretoras disponibilizam o cadastro e gerenciamento online de aplicações e resgates. E muitas não tem custo de abertura de conta e nem de manutenção, e mesmo que você não venha a aplicar imediatamente, é uma boa dica para conhecer o mecanismo e a oferta de investimentos.

 

Tomando o mesmo exemplo da aplicação de R$ 10.000,00 em 6 meses, escolhi a oferta de um banco, numa determinada corretora, que paga 101,50% do CDI.

 

Valor da aplicação: R$ 10.000,00

Prazo: 6 meses

Taxa: 6,39% ao ano x 101,50% = 6,49% ao ano, que corresponde a 0,53% ao mês

Valor no final: R$ 10.319,20

Imposto de renda: no caso de até 6 meses, 22,5% sobre o rendimento de R$ 319,20, que resulta em R$ 71,82

Valor líquido no final: R$ 10.247,38

 

Nesse caso, o rendimento líquido ficou em 2,47% no período, sendo em média 0,41% ao mês, passando da inflação (em maio de 0,40% ao mês), tendo um pequeno ganho real.

 

Independentemente do tipo de aplicação, o objetivo é que tenha um ganho real, que é o resultado do rendimento líquido menos a inflação no período.

 

Mesmo que o exemplo tenha sido de R$ 10.000,00, a partir de R$ 100,00 ou R$ 200,00 você já pode aplicar em CDB. Porém, para valores muito baixos, é muito provável que você venha a encontrar opções em bancos tradicionais. Para bancos alternativos, através de corretoras, geralmente tem um valor mínimo inicial de R$ 1.000,00. Mas por outro lado, as corretoras oferecem títulos públicos, onde pode ser aplicado desde R$ 40,00 (em outro artigo vou escrever sobre tesouro direto).

 

Por fim, dentre as opções de investimento em renda fixa, que são aquelas com o risco menor, o CDB destaca-se como alternativa de investimento, desde que você procure alternativas no mercado. Busque informações junto às corretoras e também nos bancos tradicionais (desde que tenha uma boa taxa de rentabilidade). Geralmente CDB’s que pagam 100% ou mais do CDI são atrativos, pois ultrapassam a inflação, tendo um ganho real. Já aqueles que pagam menos de 100%, pode ser até que a poupança seja mais atrativa, mas dependerá também do prazo de investimento. Só ganharemos dinheiro se conseguirmos rendimento acima da inflação, ou seja, ganho real.

 

Preparei uma planilha de simulação de rendimentos, onde a partir do valor inicial de investimento e mais aportes mensais, você poderá comparar o valor do ganho real em diferentes modalidades de CDB’s. Você pode colocar tanto o percentual do CDI, ou uma taxa pré-determinada para realizar simulações. Você pode acessar clicando aqui.

 

 

Fabio Nepomoceno - Contador e Consultor em Finanças

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