É melhor investir na poupança ou CDB?

No final desse artigo contém o link para você baixar o simulador de investimento, que vai comparar se é melhor aplicar em CDB ou Poupança. Mas antes, é interessante conhecer esses dois tipos de investimentos e suas diferenças.

 

No dia 07/02/2018, o Comitê de Política Monetária, do Banco Central, reduziu mais uma vez a taxa básica de juros da economia (Selic), para o patamar de 6,75% ao ano, menor nível histórico. Além de trazer o impacto positivo para quem precisa tomar dinheiro emprestado - apesar de demorar para fazer os efeitos reais nos juros bancários, não ficou favorável para quem aplica em renda fixa, principalmente para quem investe na poupança ou CDB (Certificado de Depósito Bancário).

As taxas de juros já vem numa série de baixas há muito tempo. Inclusive, já escrevi um artigo sobre a baixa da Selic tempos atrás, caso tenha interesse pode clicar aqui.

 

Há muito tempo a poupança não vem se tornando atrativa, principalmente desde 2012, onde foram mudadas as regras da rentabilidade. Atualmente, a poupança é remunerada através de duas condições:

a) Quando a taxa Selic está acima de 8,5% ao ano, o rendimento equivale a 0,50% ao mês, mais variação da TR (taxa referencial), situação que não corresponde à atualidade;

b) Quando a Selic for igual ou menor que 8,5% ao ano, a variação será 70% da Selic, mais variação da TR. Na prática, atualmente resulta em cerca de 0,3855% ao mês (depósitos efetuados em 08/02/2018).

 

Considerando um exemplo prático, se você colocar R$ 1.000,00 hoje na poupança, daqui a um ano terá como saldo o valor de R$ 1.047,25. Mas é necessário considerarmos a inflação, pelo menos a oficial, onde nos últimos 12 meses esteve em 2,86% (IPCA).

 

Isso significa que de um lado, a poupança renderá R$ 47,25, mas por outro a inflação vai comer uma parte desse rendimento, mesmo que apareça como saldo na poupança o total de R$ 1.047,25 daqui a um ano, esse valor não terá o mesmo poder de compra do que tem hoje.

 

A inflação é a perda do valor, ou seja, compromete a capacidade de compra, de consumo. No exemplo, a aplicação que hoje vale R$ 1.000,00, daqui a um ano equivalerá a R$ 971,40 (com a mesma taxa de inflação de 2,86%). Esse valor corrigido aplicado ao juro de poupança, equivalerá a um saldo total de R$ 1.017,30. Em resumo, aparecerá o capital e correção no total de R$ 1.047,25, mas se descontar a inflação do período, corresponderá a R$ 1.017,30.

 

Essa simulação e as demais que você vai observar adiante são realizadas considerando a mesma taxa de inflação dos últimos 12 meses (2,86% do IPCA), para simplificar. Para projeções futuras, é necessário ter uma estimativa da inflação no período.

 

Aproveito para te informar que já escrevi um artigo sobre inflação, se tiver interesse pode clicar aqui

 

É importante também colocar as vantagens da poupança: uma delas é a isenção do imposto de renda. Ou seja, o rendimento é líquido, não terá desconto. Outra vantagem é o baixo risco, pois o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) garante os depósitos de até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira.

 

Mas comparando com outros formatos de aplicação, principalmente renda fixa, é possível obter ganhos superiores, e praticamente com o mesmo risco. Vamos comparar com alguns CDB’s oferecidos no mercado. Recomendo desde já que você se especialize melhor sobre cada tipo de investimento, e respeite seu perfil de investidor. Lembro ainda que tem muitas opções de investimento no mercado. Nesse artigo, vou focar na poupança e CDB.

 

O CDB (Certificado de depósito bancário) é um título de renda fixa que os bancos emitem, como forma de captar dinheiro para financiar suas atividades ou também investir no mercado. O rendimento está atrelado ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que por sua vez acompanha a taxa básica de juros da economia. O CDB pode ser pré-fixado, onde na aplicação já é determinado a qual taxa será rentabilizado. Também tem CDB que varia conforme índice de inflação e mais uma taxa pré-definida. Em ambos os casos pode-se ter ganhos maiores, mas em contrapartida, a instituição exige que o valor fique aplicado por mais tempo, além de exigir um valor mínimo de aplicação maior (provavelmente não R$ 1.000,00 como simulamos anteriormente no cálculo da poupança).

 

O mais tradicional é o CDB pós fixado, onde a sua rentabilidade é calculada com alguma taxa de referência, no caso o CDI. Os bancos tradicionais costumam pagar baixa rentabilidade do CDB, tendo casos de 70%, 80% ou 90% do CDI. Como referência, o CDI médio em 08/02 estava em 6,64% ao ano.

 

O interessante é buscar por CDB’s de bancos de menor tamanho ou menor credibilidade, onde esses tendem a oferecer melhores taxas (100% do CDI ou até mais, dependendo do prazo de aplicação e valor). Talvez você questione, e se o banco quebrar? É um risco que existe, tanto para bancos tradicionais ou menos conhecidos, mas assim como na poupança, há a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira. Portanto, diversificar aplicações entre os bancos torna-se mais seguro, e o risco é praticamente o mesmo do que investir na poupança.

 

Para investimento em CDB’s nesses bancos de menor porte, é necessário fazer aplicação através de corretora de valores, onde atualmente você pode abrir sua conta até pela internet, em muitos casos de forma gratuita, de maneira segura, legal e autorizado pelo Banco Central. Nos bancos tradicionais, tratamos com o gerente do banco sobre investimentos, mas lembre-se que ele está a serviço do banco, pode ser que ele apresente uma proposta boa para você, mas com certeza será melhor proposta para o banco. E os bancos tradicionais trabalham com CDB’s emitidos somente por eles, limitando as opções de ganhos.

 

Enquanto que numa corretora, são oferecidos títulos de vários bancos, de forma independente da corretora, onde você mesmo pode escolher as opções de investimento. Além de contar com a assessoria da corretora, é interessante aprimorar seus conhecimentos para você fazer um bom investimento, e obviamente é necessário um valor que seja interessante. Lembre que se você quer ter um ganho maior, terá que estar sujeito a uma aplicação de valor e prazo maior. Em breve vou fazer um artigo específico sobre corretoras de valores.

 

Uma das desvantagens do CDB é a incidência do imposto de renda, onde dependendo do prazo que se deixa o dinheiro, tem uma alíquota. Para aplicações de até 180 dias, incide 22,5% de imposto sobre o valor do rendimento, de 181 a 360 dias incide 20% no valor do rendimento; de 361 a 720 dias 17,5% e 721 dias ou mais incidirá 15%. Ou seja, quanto mais tempo o dinheiro ficar lá, menos imposto de renda. É importante lembrar que caso deixar aplicado menos de 30 dias, incidirá também o IOF (Imposto de Operações Financeiras).

 

Nem todo CDB pode ser resgatado a qualquer momento. Tem alguns que é necessário esperar o término do prazo de carência, mas aí o retorno torna-se mais interessante. Caso você não saiba quanto tempo poderá deixar o dinheiro investido, é arriscado deixar aplicado em CDB que não tenha liquidez diária.

Pode-se investir em um tipo de CDB escalonado ou progressivo, onde o mesmo garante uma liquidez diária e prevê ao mesmo tempo o aumento da remuneração à medida que o prazo de investimento fica maior.

 

Mas afinal, vale a pena a poupança ou o CDB? Vamos ver na prática algumas simulações de CDB em relação à poupança, considerando inflação anual de 2,86% ao ano ( a mesma dos últimos 12 meses).

 

Veja no final desse artigo duas imagens com os exemplos.

 

No quadro do exemplo 1 você pode analisar a comparação entre poupança e 2 tipos de CDB's, para uma aplicação de R$ 1.000,00, para o prazo de um ano.

 

No quadro do exemplo 2, tem a comparação entre a poupança e 2 tipos de CDB's, para uma aplicação de R$ 10.000,00, para o prazo de 5 anos.

 

Geralmente os CDB’s que pagam 95% do CDI ou mais, são melhores do que o rendimento da poupança, pelo menos para aplicação de 1 ano, e conforme exemplo 1, para investimentos de R$ 1.000,00.

 

Já para o exemplo 2, torna-se interessante investir em CDB's, visto que os ganhos líquidos são maiores que a poupança.

 

Com base nos exemplos, pode-se apurar que a escolha entre poupança e CDB tem relação com o valor que você tem disponível para aplicar e quanto tempo está disposto a aguardar a retirada. Para uma aplicação de prazo curto, como 30 a 60 dias, a poupança ainda pode tornar-se mais atrativa que um CDB.

 

Recomenda-se que primeiramente você tenha muito claro qual o objetivo que você terá com esse dinheiro investido: se é para aposentadoria, se é para uma viagem, alguma compra, um projeto específico, enfim, quanto mais claro for o objetivo, o valor e para quando você precisa, ficará melhor de planejar onde será investido. 

 

Quero lembrar que todos os cálculos foram realizados através de capitalização mensal de juros compostos e os valores são aproximados. É importante colocar também que de nada adianta pensarmos em investir ou aplicar na poupança ou CDB, se estamos numa situação de endividamento, pagando juros de cheque especial ou cartão de crédito, por exemplo. Nesse caso, a preferência é resolver as dívidas, principalmente aquelas com juro maior, e depois se organizar no orçamento, para ter uma sobra para investir.

 

Existe um grande número de opções de investimentos no mercado, pelos quais aos poucos vou escrever artigos específicos.

 

Se tiver interesse em outras simulações, vou disponibilizar uma planilha eletrônica de fácil utilização, para quem se cadastrar clicando aqui.

 

Até breve!

 

Fabio Nepomoceno - Consultor de Finanças

Exemplo 1: Simulação de investimento de R$ 1.000,00 para um ano
Exemplo 2: Simulação de investimento de R$ 10.000,00 para cinco anos
Receba conteúdos exclusivos e com prioridade