Como organizar as finanças após o carnaval?
Após o término do Carnaval, para muitos brasileiros parece que o ano finalmente começa “de verdade”.
Chegou a hora de colocar em prática os planos traçados para 2026. E, se você ainda não conseguiu se planejar, nunca é tarde para repensar objetivos e definir o que deseja fazer de diferente neste ano. Para quem é empresário, a reflexão é ainda mais importante: o que sua empresa vai mudar em 2026? Sempre vale lembrar a frase clássica: se continuarmos tomando as mesmas atitudes e praticando as mesmas ações, teremos exatamente os mesmos resultados.
Depois do período de festas, presentes, férias e gastos extras, é o momento em que a organização financeira pessoal e empresarial é realmente colocada à prova. Quem já possui um orçamento bem definido e acompanha mensalmente a evolução dos gastos realizados em comparação com o planejado tende a enfrentar menos surpresas nesse retorno à rotina. Isso porque situações previsíveis já foram consideradas, como, por exemplo, o fato de que durante as férias o salário já foi antecipado, e ao retornar ao trabalho será necessário aguardar um período até o próximo pagamento.
Para empresários, o cuidado deve ser redobrado. Em muitos setores, o início do ano apresenta queda no volume de vendas, o que impacta diretamente o caixa no mês seguinte — especialmente para quem trabalha com prazo médio de recebimento de 30 dias. Enquanto isso, os custos fixos continuam existindo, independentemente da redução no faturamento.
Quem não possui um orçamento financeiro, seja pessoal ou empresarial, tem uma probabilidade muito maior de enfrentar uma desorganização financeira nesse período. Surge então a chamada “crise financeira pós-férias”, mais comum entre aqueles que não se planejaram adequadamente. Se você percebeu que gastou além do previsto e está com dificuldade para pagar as contas do mês, seguem algumas orientações práticas:
Coloque no papel todas as contas do mês. Caso já possua um orçamento, revise os lançamentos para garantir que estão corretos e atualizados;
Tenha clareza sobre quanto dinheiro é necessário para cobrir as despesas até a próxima entrada de renda, como o salário ou pró-labore;
Identifique quais contas podem ser negociadas. Alguns pagamentos podem ser adiados ou parcelados, lembrando sempre que no mês seguinte as despesas fixas voltarão a existir. Mensalidades escolares, aluguel, parcelas de empréstimos e condomínio são exemplos de contas que podem ser renegociadas. Mesmo com juros, muitas vezes eles são menores do que os cobrados no cheque especial;
Avalie a possibilidade de realizar alguma atividade extra por um período determinado para aumentar a renda e ajudar a equilibrar o orçamento;
Caso possua aportes mensais em investimentos ou previdência privada, considere suspender temporariamente. Da mesma forma, adie compras e gastos não essenciais. A prioridade deve ser honrar as contas do mês;
Reúna a família, exponha a situação com transparência e peça sugestões. Estabeleça uma meta de redução de gastos e deixe claro que o esforço é temporário. Criar uma recompensa futura, como um passeio planejado para os próximos meses, pode ajudar no engajamento de todos;
Solicitar adiantamento de salário pode ser uma alternativa pontual, mas é importante ter consciência de que isso apenas posterga o problema, já que o valor será descontado no próximo pagamento;
Se você possui uma reserva de emergência, utilize-a. Esse recurso existe justamente para momentos como esse. Depois, organize-se para recompor a reserva mensalmente. Não faz sentido pagar juros elevados se você tem dinheiro guardado;
Empréstimos com familiares podem ser uma opção, geralmente com juros menores. Caso prefira uma instituição financeira, para quem é empregado, o crédito consignado costuma ter taxas mais baixas;
Aprenda com a experiência. Nas próximas férias, estabeleça um limite de gastos e lembre-se de que as despesas fixas não tiram férias. Retornar à rotina com alguma reserva faz toda a diferença para manter o equilíbrio financeiro.
Essas são alternativas para resolver ou ao menos minimizar os impactos da desorganização financeira no curto prazo. O ponto principal é entender que o planejamento financeiro reduz significativamente o risco de problemas após períodos de maior gasto.
Que a folia tenha ficado apenas no Carnaval — e não continue refletindo nas suas finanças ao longo de 2026.
Fabio Nepomoceno - Consultor de Finanças
